terça-feira, junho 14, 2011

Marina, 16 anos, amada, curada, livre

     Imagine um pássaro com suas asas cortadas, que pula do ninho, mas não consegue voar. Era exatamente assim que eu me sentia. Meu pai chegava em casa alcoolizado todos os dias, minha mãe vivia para o trabalho e eu fui crescendo com a ausência dos dois. Nunca fui de sair, de paquerar, etc., vivia apenas para os estudos, mas houve um tempo em que as feridas deixadas pelas brigas que presenciei quando era pequena, o fato de eu ter sentido tanta carência e ter sofrido bullying me fizeram "pirar”, então comecei a mudar.
     Foi necessário apenas um evento de rock que ocorreu aqui em minha cidade, para eu presenciar jovens se drogando, se alcoolizando, mas quando Deus quer falar com você Ele "deixa” você “experimentar o mundo” e ver que você não faz parte dele. Eu estava ali, porém sentia que não era o meu lugar; eu havia visitado a Igreja Metodista nessa época, havia aceitado Jesus em meu coração, mas as dores se faziam mais fortes. Depois de um tempo conheci um rapaz, o que me fez sofrer mais ainda. Eu estava cega, talvez tentasse apenas suprir toda minha carência, mas foi nessa época que eu comecei a agir de forma errada. Eu menti, eu fiz o que não devia fazer, até o ponto em que uma coisa muito forte veio em meu coração. Eu percebi que não era mais a mesma Marina.
     Passou-se um bom tempo e essa mesma coisa me dizia que esse não era o caminho, não era com aquelas pessoas que eu devia andar, não era meditando, não era fazendo coisas boas, nem correndo dos problemas que eu iria ficar livre daqueles sentimentos, tantas coisas estavam acontecendo, minhas notas na escola desmoronando, eu brigava com minha irmã praticamente todos os dias e só ia afundando mais. Cheguei ao ponto de falar que estava com depressão e deixar todo mundo descabelado.
     Minha mãe me chamava para eu ir à Célula (estudo bíblico), que estava tendo na casa de uma moça chamada Cíntia, mas eu não queria ir, eu estava com um coração rebelde, meu Deus! Mas no aniversário da minha mãe, quando as participantes da célula iriam fazer uma festa surpresa para ela, eu fui convidada. Naquele momento toda minha vida passou diante dos meus olhos, várias pessoas falavam comigo me dizendo para não ir, mas eu pensei: - Eu vou por minha mãe... Aquela moça,que nem me conhecia,foi extremamente usada por Deus e na hora do apelo eu escutei Jesus dizendo que me amava que me queria perto Dele, que eu não pertencia ao mundo, que Ele queria sarar minhas feridas. Eu não consegui dizer não e foi ai que refiz minha aliança.
        Fui ao EMPacto que ocorreu nos dias 27 a 29 de maio de 2011 e me apaixonei por Jesus. Ele me curou, me libertou, derramou todo seu amor em mim, deu-me um novo coração, fez aquelas pequeninas asas ganharem novas penas e eu pude enfim voar. Eu sei que independentemente das lutas que surgirem eu tenho um Deus que nunca vai me abandonar porque ele tem me provado isso a cada dia,do meu pai que agora não bebe mais a minha mãe que hoje é muito mais atenciosa comigo a uma nova família e amigos que ganhei.
        Eu não vivia, mas hoje renasço todos os dias e até o alimento que como tem um sabor diferente. Agora,quando acordo de manhã , vejo tudo com outros olhos, sinto o ar mais puro, as cores mais vibrantes e o céu nem é mais azul! É de todas as cores, porque Deus está em tudo que eu vejo, ele está ali me dizendo: - Bom dia, filha amada!
        Parece até loucura se levar em conta que tenho 16 anos, não é mesmo? Mas acredite, assim como Deus mudou minha história ele quer mudar a sua também, basta você permitir.

Marina Biacchi, 16 anos

quarta-feira, maio 18, 2011

Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Hoje é dia 18 de maio, Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, instituído pela Lei Federal Nº. 9970/00. 
Jesus afirmou, certa vez, que quem escandalizasse um desses pequeninos, “melhor seria que pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e se precipitasse na profundeza do mar” (Mateus 18:6). Afirmou também que quem os recebesse, recebia a Ele próprio. Portanto, lutar pela proteção das crianças é lutar para que o amor de Cristo e sua justiça sejam manifestos a todos e todas, independente da idade ou condição social.
A data foi escolhida porque nesse dia, no ano de 1973, um crime hediodo aconteceu e ficou impune. A história foi conhecida nacionalmente, mas vamos relembrar essa história agora, porque “Esquecer é permitir. Lembrar é combater” . 
Era uma sexta-feira. Lola, uma boliviana, pediu que sua filha Araceli saísse da escola mais cedo e fosse entregar um envelope a um grupo de rapazes. Dentro, havia drogas. A menina não sabia. Quando Araceli chegou ao edifício Apolo, em Vitória, os rapazes já estavam drogados. Ali Araceli foi violentada, os bicos dos peitinhos e a vagina foram lacerados a dentadas. Depois jogaram ácido sobre ela. Seu corpo foi encontrado dias depois, no matagal nos fundos de um hospital, por um garoto que caçava passarinho. Seu rosto ficou desfigurado, corroído pelo ácido, dificultando o reconhecimento. Este crime aconteceu no dia 18 de maio de 1973. Os acusados eram um filho de um rico proprietário de imóveis, hotéis, fazendas, estabelecimentos comerciais e poderoso membro da maçonaria capixaba e e o outro era filho de um exportador de café. A sociedade capixaba da época silenciou. Apesar da ampla cobertura da mídia, o caso ficou impune .
O abuso sexual de crianças e adolescentes tem sido por demais tolerado em nossa sociedade. A violência contra crianças e adolescentes ofende a Deus.
O abuso nunca é desejado, nem bem-vindo. Ele desencadeia um sentimento de impotência na criança, porque não consegue interromper o abuso ou acabar com a dor da alma. A forma repentina do ataque ou a lenta sedução a impedem de interromper o abuso. As ameaças e a vergonha aumentam a sensação de desamparo. A vítima fica num impasse: a única forma de silenciar a dor é deixar de sentir - o que significa uma amputação e renunciar a viver. 
Como o sangue atrai os tubarões, ela atrai os abusadores e se deixa abusar por não se sentir digna de uma relação com um homem realmente amoroso, por medo de se decepcionar ou perder o controle. 
A vítima tende a assumir a culpa e se cala por vergonha. Ela procura esquecer ou reprimir a lembrança que traz tanto sofrimento e assim se proteger.
Segundo a psicológa Isabelle Ludovico, no abuso sexual, a criança é despertada para o sexo precocemente, de maneira deturpada, traumática, ficando com marcas para o resto da vida, podendo desenvolver comportamentos patológicos como aversão a parceiros do mesmo sexo do abusador ou uma sexualidade descontrolada, entre outros. 
A criança ao ser abusada sexualmente é desrespeitada como pessoa humana, tem seus direitos violados, e o pior: na maioria das vezes, dentro de seu próprio lar, por quem tem a obrigação de protegê-la.
A Bíblia diz: Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos. Is 57.15. Deus nos ouve e nos acolhe.
Nós, muitas vezes, tentamos calar as pessoas que sofrem, mas Deus nos ouve. Calar a dor de quem sofreu abuso é cometer outro abuso. Em vez de se omitir, a Igreja é chamada a denunciar todo tipo de abuso, proteger e suprir as vítimas, oferecer cura aos feridos e exortar os agressores.


quarta-feira, maio 11, 2011

AMIGOS QUE PASSAM PELO VALE

 

Um estudo mostra que perto de 20% dos brasileiros passam ou já passaram pelo sombrio vale da depressão.
Um dos maiores problemas de quem caminha por esse desfiladeiro escuro é a incompreensão dos que estão (ou acham que estão) na planície.
Tudo o que essa pessoa não precisa é de uma voz que recrimine, de uma palavra que culpe, de uma atitude que compare, de uma expectativa que condene.
No entanto, até pessoas que amam se recusam a aceitar que a depressão é uma doença. Por isto, buscam explicações superficiais e oferecem respostas opressivas.
Quem realmente quer ver em pé o seu amigo, caminhando o seu parente ou saudável o seu irmão precisa aprender a ouvir sem julgar, a falar sem explicar, a orientar sem impor, a acompanhar sem forçar,  a apoiar sem pressionar, a orar sem comentar e a amar sem exigir.

Autor: Israel Belo de Azevedo