quarta-feira, novembro 08, 2006

Araceli: nove anos, espancada, estuprada e morta

Era uma sexta-feira. Lola, uma boliviana, pediu que sua filha Araceli saísse da escola mais cedo e fosse entregar um envelope a um grupo de rapazes. Dentro, havia drogas. A menina não sabia. Quando Araceli chegou ao edifício Apolo, em Vitória, os rapazes já estavam drogados. Ali Araceli foi violentada, os bicos dos peitinhos e a vagina foram lacerados a dentadas. Depois jogaram ácido sobre ela. Seu corpo foi encontrado dias depois, no matagal nos fundos de um hospital, por um garoto que caçava passarinho. Seu rosto ficou desfigurado, corroído pelo ácido, dificultando o reconhecimento. Este crime aconteceu no dia 18 de maio de 1973. Os acusados eram Paulo Helal, filho de um rico proprietário de imóveis, hotéis, fazendas, estabelecimentos comerciais e poderoso membro da maçonaria capixaba e Dante de Bríto Michelini, filho de um exportador de café. A sociedade capixaba da época silenciou. Apesar da ampla cobertura da mídia, o caso ficou impune[1].
O abuso sexual de crianças tem sido por demais tolerado em nossa sociedade. A violência contra crianças e adolescentes ofende a Deus. Jesus afirmou, certa vez, que quem escandalizasse um desses pequeninos, “melhor seria que pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e se precipitasse na profundeza do mar” (Mateus 18:6). Afirmou também que quem os recebesse, recebia a Ele próprio. Portanto, lutar pela proteção das crianças é lutar para que o amor de Cristo e sua justiça sejam manifestos a todos e todas, independente da idade ou condição social: “Esquecer é permitir. Lembrar é combater”[2].

Pastora Fátima

[1] Todas as informações foram colhidas em pesquisa na internet, feita no site de busca www.google.com.br.
[2] Slogan do dia 18 de maio.

Um comentário:

Alessandra Almeida disse...

Quando leio coisas desse tipo vem à minha mente uma mistura de sentimentos como raiva, revolta, nojo e vontade de justiça. Muitas situações como essa têm acontecido à nossa volta e simplesmente a justiça é calada como se cala uma criança diante do seu agressor ou molestador. O medo faz com que a vítima se cale, prolongando assim seu sofrimento. Jesus disse que se não nos tornarmos como crianças não poderemos entrar no reino dos céus... Então é preciso sentir como uma criança, pensar como uma criança, até mesmo nos momentos tristes, nas situações em que muitas delas são tidas como mentirosas ou fantasiosas. Não é possível lutar por justiça sem sentir a dor que muitas crianças e mulheres sentem nessas situações. É preciso sentir e amar para agir. Que o Senhor abençoe a todos.